• Sara Barbot

Ir para a creche, sim ou não?

A ida para a creche é geralmente uma decisão tomada em função das necessidades dos pais aquando o término da licença de maternidade. A obrigatoriedade do retorno ao trabalho torna-se também na obrigatoriedade em escolher uma creche adequada para deixar o bebé no período laboral.

Mas quando há possibilidade de escolha, qual deverá ser a decisão? E mais uma vez, como em tantas outras decisões inerentes à maternidade, a resposta é tudo menos consensual.

“Infectário”, muitos lhe chamam. E percebe-se. Toda a gente sabe que o primeiro ano letivo em que a criança ingressa na creche tem uma grande probabilidade de ser adornado com bons de dias de febre, ranho e tosse. E noites sem dormir. E faltas ao trabalho.

Por outro lado, têm surgido “teorias” e opiniões de diferentes profissionais que categoricamente afirmam que a criança apenas deve ingressar no contexto educativo após os 3 anos de idade. E desculpem a sinceridade, mas são as mesmas que afirmam que é melhor “esperar para ver” sempre que os pais se preocupam com o desenvolvimento dos seus filhos. São os mesmos que consideram que as competências desenvolvimentais importantes começam aos 3 anos. Tudo o resto lhes é acessório e ao seu ritmo, sem implicações futuras. De forma, inconsequente.

É claro que uma opinião generalista pode não ser adequada a um caso específico. É claro que em caso de condições médicas existentes estas têm que ser consideradas aquando a tomada de decisão. Mas também é obvio, e para os mais céticos, mais do que estudado e verificado, que a atividade e plasticidade neuronal até aos 3 anos de idade não tem comparação com a que se verifica no restante curso de vida. “São esponjas” muitos dizem. E eu sou uma dessas pessoas. Corrijo, um desses profissionais. Dos que vê em consulta todos os dias crianças com atrasos de desenvolvimento cuja primeira recomendação é a ida imediata para a creche. E porquê? Porque para além de ser um contexto privilegiado de estimulação global, na grande maioria das vezes a alternativa é continuar em casa com a empregada, avó ou mãe que por não saberem o que fazer com um bebé ou/e por estarem uma boa parte do dia indisponíveis pelo trabalho ou lides que têm de ser realizadas, não têm outra solução se não deixar a criança em auto-gestão ou em frente ao ecrã. Só um pouco dizem, mas quando se conta o tempo...

E nestas situações o consenso é bem mais comum. Quer isto dizer que se uma criança não for para a creche até aos 3 anos de idade terá atraso de desenvolvimento? Nem sempre. Mas também não posso dizer que nunca. Depende.

E depende do contexto familiar e das experiências que este lhe poderá proporcionar. Temos uma mãe e um pai de licença até aos 3 anos? Cientes das necessidades desenvolvimentais de cada etapa? E com disponibilidade para proporcionar experiências diversificadas que alimentem essas necessidades? Com vários amigos e tios na mesma situação com quem se podem juntar diariamente de forma a que as crianças interajam umas com as outras?

Pois, a realidade portuguesa não é essa. E este é um fator de peso!

É verdade que as creches são locais onde as crianças têm contacto com diferentes vírus. Mas também é verdade que são locais que lhes proporcionam muito mais do que isso. E a saúde da criança não se restringe à saúde física. A decisão deve ser tomada equilibrando os riscos e benefícios das várias variáveis. Do que se perde e do que se ganha.

Portanto, salvo contra-indicação médica por motivo de doença, não existe nenhuma razão que impeça a criança de frequentar uma creche de qualidade. Pelo contrário, só há benefícios. Beneficiam do ponto de vista do desenvolvimento psicomotor, pelo leque de experiências que têm oportunidade de vivenciar. Beneficiam do ponto de vista emocional e relacional, pela diversificação de interações a que são sujeitos. E o vínculo com a mãe? perguntam-me. O vínculo saudável não se mede ao kilo, e o reencontro é tão importante como a presença.

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Este é o meu espaço pessoal onde poderá conhecer melhor a minha formação e trabalho que desenvolvo na prática clínica.

Sara Barbot

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