• Sara Barbot

Liberdade não é Libertinismo!

Recebi ontem a imagem deste questionário destinado a crianças, sim CRIANÇAS, de 9 anos e de imediato fui invadida por uma inquietude que me obriga a escrever o seguinte enquanto mãe e psicóloga clínica especializada no desenvolvimento infantil! Este questionário, na forma como se apresenta e para quem se destina é um atentado ao desenvolvimento emocional e sexual de cada individuo que lhe tenha acesso. Atentado porque constitui um procedimento abusivo e portanto uma agressão ao ritmo e fase desenvolvimental de cada criança. Estou convencida que na luta pelos direitos da liberdade individual se confunde a mesma com libertinismo e na busca de uma sociedade tolerante e inclusiva se cai no erro de impor a anulação de qualquer limite a qualquer preço. Sou defensora da liberdade, da liberdade de expressão, da liberdade sexual, da liberdade religiosa. Sou defensora da inclusão, da tolerância e da não discriminação. Não sou defensora da agressão e da ignorância! E este questionário é um ato de agressão, desejo eu, cometido por completa ignorância! Uma criança de 9 anos, saudável, não se sente atraído por absolutamente nada de forma sexualizada como as perguntas procuram saber. Uma criança de 9 anos busca a sua identidade pela identificação sem que isso signifique desejo sexual pelo mesmo género. Uma criança de 9 anos não tem nem lhe deverá ser imposto o pensamento sexualizado característico dum adulto. Uma criança de 9 anos tem o direito de ir à escola para aprender e crescer. Um adulto que assume a responsabilidade de cuidar e ensinar uma criança de 9 anos tem o dever de não invadir e de não violar o seu crescimento natural! Os seus direitos! E mesmo que este dito “questionário socio-demografico” fosse dirigido a jovens com mais de 18 anos, para que raios seria esta informação? Que tratamento se daria a estes dados? E assim de repente mesmo sendo anónimo algum aluno de 18 anos responderia num contexto escolar? Eu com 36 seguramente que num contexto de formação não o faria, ou no mínimo analisaria primeiro o enquadramento da questão antes de decidir se o faria. Mas a criança não tem esta capacidade. O enquadramento caracterizado por uma hierarquia diferenciada em que o adulto, professor, pergunta e a criança, seu aluno, responde desfavorece qualquer hipótese de fornecer esta informação de forma voluntária”. Na era da política de proteção de dados esquecemo-nos da proteção das crianças? São os dados mais importantes? E o desenvolvimento infantil já toda a gente se esqueceu como ocorre? Já toda a gente se esqueceu em que enquadramento surgiu o termo pedofilia?

Sou defensora da liberdade, não sou defensora do libertinismo! Este questionário é um atentado, não é educação sexual!